Vivo em constante diálogo com o tempo.
Com meu tempo. Por vezes com o
tempo daqueles com quem gosto de gastar o meu.
Que ele seja rápido, quando a companhia pesa; que ele demore e demore e
demore quando o despertador está programado; que ele cure a dor dos meus amigos
e, às vezes, a minha própria; que ele esteja a meu favor. Que não se demore nos
compromissos chatos, encontros forçados e naquilo tudo que ocorre sem minha
vontade, mas que ele seja quase eterno em todos os momentos em que eu vivo,
simplesmente, e me esqueço que existe qualquer marcação temporal.
Apesar dos meus pedidos, continua constante, e me mostra que sou eu que
modifico essa passagem. Quanto mais tempo perco reparando no tempo, mais lenta
fica minha percepção. Mas se eu vivo e observo ao meu redor, tudo logo já se
transforma em passado.
Há tanto que só o tempo me proporcionou. Há tanto que só ele pode, ainda, proporcionar. Há tantas formas de olhar e uma delas é ter certeza de que é ele que carrega o segredo das coisas e que, por isso mesmo, é um dos deuses mais lindos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário