terça-feira, 19 de junho de 2012

Manifesto da amizade sem fim!

Não é impossível acreditar em coincidências, mas nesse, no nosso caso, tenho quase certeza que tudo estava perfeitamente programado, com data, horário e lugar, só esperando um pretexto pra que todas pudessem comparecer.
Fomos um encontro, um feliz encontro, um achado nesse mundo estranho e, por vezes, sufocante. Somos um encontro, um eterno encontro, somos o que há de melhor e aquilo do que devemos nos orgulhar.
Não temos, de fato, e graças a Deus, as maiores semelhanças do mundo, já dançamos em frequências diferentes por diversos momentos e carregamos em nós as diferenças mais aproximadoras do mundo, já que não precisamos ser a continuação nenhuma da outra, mas aquilo que transborda, o acréscimo, o algo a mais que nos deixou tão bem juntas.
Ainda não acredito quando penso no tão curto espaço de tempo que demoramos para fazer parte, e de verdade, da vida das outras. No quanto a amizade foi, sorrateiramente, entrando nesses cinco corações, enquanto a verdade de cada uma saía, enquanto o amor ia entrando, com força total.
Na maioria das vezes somos cinco. E acho que somos o melhor quinteto do mundo, hein! Mas já fomos uma, fomos duas, três, quatro, outras duas..As loucas por açaí, mas que nunca encararam o boxe, as que fazem piada de tudo, as que não entendem as piadas, as sérias, as da adm, as da letras, as loiras e morenas e loiras de novo e morenas de novo, as românticas, e aquela que mooooorre de vergonha de casamento (mas que, logo logo, será a primeira a casar com noivinho no bolo!), labra selvagem, dálmata, a noiva, as solteiras e que tão pra tudo, as sonhadoras, as pé no chão, as maiores realizadoras de festa junina do mundo, as esfomeadas, mal humoradas, sonecas e especias. Todas.
Todas em uma, todas vivendo o momento, o sonho, a tristeza, a alegria, a derrota, a conquista, a paquera, a besteira, o trabalho, o presente e o futuro das outras. Dividindo o que seria pesado e aumentando aquilo que queremos que seja demais.
Por isso, por tanto amor, por irritações sinceras e naturais, por momentos inesqueciveis, por diferenças e semelhanças e pelo encontro, não podemos deixar de manifestar nossa amizade sem fim.
Em pouco tempo pode ser que o lugar que nos serviu de encontro, deixe de ser comum, mas, certamente, tivemos tempo suficiente para construir um espaço muito maior, mais bonito, mais concreto e cheio de certezas que, depois de tudo, será nosso porto seguro e ponto de encontro. Nossa amizade é que nos servirá de templo e de segurança e dela a gente não se perde nunca, é sem fim.
E como todo mundo nesse universo já sabe, eu tenho problemas infinitos com mudanças, despedidas e ausências e eu sei que abrir mão dos dias com vocês por perto vai ser difícil demais, maaaaas, bem lá no fundo, a ansiedade por ver cada uma onde sempre sonhou me deixa mais calma para suportar a ausência. E agora, minhas meninas, não precisamos de pretexto nenhum para os próximos encontros. Já temos amor, cumplicidade, amizade e histórias demais pra nos levar uma até as outras e pra nos deixar juntinhas como sempre, como a gente gosta. Já temos o que nos une, sempre teremos. Sempre tivemos, mesmo sem saber. A hora, o lugar e o dia não importam. Todos os momentos são seus. Todos os momentos são nossos, da nossa amizade sem fim.

E eu AMO cada uma docêis! Que são as amigas perfeitas pra mim, as que eu escolheria, sem dúvida, dentre todas as pessoas do mundo...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Exército de um homem só.

Sim, no difícil exercício de viver em paz.
Porque eu acho (e percebam, por favor, que minha vida é puro achismo!) que só pode viver em paz aquele que deixou seu passado e que não tem pretensões ansiosas sobre o futuro. É, visitando um clichê, quem vive pelo hoje, sem fantasmas mortos ou que ainda virão.
Definitivamente, eu não me desapego, não deixo em paz. Atrás ou na frente. Não me deixo em paz.
Cometo erros e mais erros por medo de enfrentar no escuro o que essa louca e breve vida me reserva e mais erros ainda por não saber enxergar o fim das coisas, o fim das pessoas, o fim de sentimentos e de necessidades. E daí? Por mais que eu queira viver em paz, eu quero, de fato, deixar de revisitar?
Abrir mão é muito difícil. Sempre soube. Do namoradinho da escola, do algodão doce, do pirulito, das canetas coloridas, do namorado sério, do aconchego da casa da mãe, dos velhos amigos, das velhas histórias, de lembranças, cheirinhos, imagens e tudo que um dia foi seu. Em letras garrafais: SEU. MEU.
Acho (!) que eu percebi um acentuado sentimento de posse. E é isso, é tão bom sentir que é algo é seu, é tão seguro...Será mesmo que eu quero abrir mão da minha segurança? Será mesmo que quero viver em paz? Será que é tudo real nas minhas mentiras?
Enfim, é muito difícil abrir mão e talvez a paz não chegue por eu mesma anular a partida e antecipar a chegada, abortando a minha própria felicidade em inúmeros momentos. Por teimosia ou fraqueza, por não me importar em ser ridícula vez ou outra e por não ter vergonha de fazer parte de um exército de um homem só.
Por mais que eu diga que não me importo, que eu sei, que conheço como ninguém, que não preciso, eu sempre me junto ao meu exército. Composto apenas por mim, aliás; rodeada por muitos loucos sentimentos, por saudades, por desejos, verdades e mentiras que quebrariam qualquer coração. Então, eu junto meu exército e vou procurar por aquilo que me traz conforto, embora não paz. Aquilo que me atormenta, enlouquece, mas que no fundo é tudo que eu preciso. É tudo que eu procuro. Tudo que, de uma forma ou outra, era reservado pra mim; pelo menos até eu ser forte o bastante para deixar tudo e viver em paz, seja isso felicidade ou não.
Fuço todas as gavetas e procuro velhos bilhetes - seus -, cartas de amor e ódio, qualquer coisa que tenha a sua impressão, pra eu não esquecer nunca o que você pensa, ou finge pensar. Procuro incansavelmente por fotos, todas. De lado, de frente, de costas, do cabelo aos pés e de cabeça para baixo. Afinal de contas, não quero nunca esquecer seus traços, como é seu sorriso, o tamanho do seu nariz e das suas olheiras ou o tamanho e o espaço entre os seus dentes. Quero te fotografar e gravar em mim, de onde ninguém pode tirar. Tento encontrar seus amigos e amigos de amigos, pessoas que eu sei que você gosta, com as quais eu sei que você compartilha ou compartilhou qualquer coisa da sua vida, pessoas próximas ou que tiveram um remoto contato com você, pra tentar encontrar qualquer vestígio seu, qualquer palavra, qualquer referência, qualquer lembrança. Remexo todas as roupas, só pra puxar aquela lá no fim da gaveta, feia e velha, quase rasgada, mesmo que tenha um sapo verde dizendo 'You make me so happy!', mas que me deixa sentir você aqui, quase dentro. E mesmo podendo eu não uso os perfumes novos, com cheiro de caminho certo. Prefiro os antigos, os que chegaram exatamente com você, que me lembram, no mundo inteiro, o seu sorriso maroto. O que me lembra a primeira vez, o que lembra as noites intermináveis de espera, o que lembra as brigas, o que lembra tudo que seja seu, do tom da sua voz até a dor da sua eterna ausência.
Eu procuro pelas músicas, pelos livros, pelos filmes, pelas séries, pelos gostos e gestos que me fazem chegar até voce. É disso que vive meu exército solitário: de ter consciência e, apesar disso, não fugir dessa procura. Não fugir do tormento. Não buscar pela paz.
Às vezes eu até misturo passado e futuro, aqui no presente. E o que me amedronta, de fato, diante de coisas tantas é pensar que amanhã ou depois tudo isso não adiante, que a distância seja enorme e cortante, a ponto de me fazer esquecer o brilho incansável dos meus olhos em todas as vezes que te viram pela frente.
E aí, talvez, eu possa perceber se é difícil procurar pela paz, ou viver com ela, sendo ainda um exército, mas sem fronteiras para defender.

terça-feira, 20 de março de 2012

Borboletas no aquário.

Eu não fui feita pra mudanças, pra despedidas, pra 'até logo'.
Não fui feita pro adeus, pra malas, portas fechadas e silêncios cortantes. Não fui feita pra perda, pra falta, meu negócio é acumular. Tristezas e alegrias.
Não fui, definitivamente, feita pra saudade e, ah, como ela vive em mim, diariamente.
Pra deixar, ser deixada, esperar o dia inteiro pelo 'oi' da minha vida, compreender como intimidade e indiferença cabem no mesmo espaço, eu não sirvo pra isso. Não encaixo em milhões de coisas nessa vida, não me encaixo, na verdade, no que há de mais importante, eu não entendo o movimento do mundo.
E é bem difícil me caber em mim. Dividindo espaço com dúvidas tantas, com medos, aflições e uma pitada do que se pode chamar de revolta, por não aceitar nem metade do que é a minha verdade.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A outra metade é silêncio

Boa noite, menina, louca-menina. Que sonha e tem pesadelos, misturados aos meus, confundidos com o pesadelo do mundo.
Engraçado, a vida é engraçada e dá rasteira o tempo todo. Sério, o tempo todo. Às vezes a vida, ou a música, ou o livro, ou a poesia, a dor de cabeça, a solidão e a noite vazia, tudo que parece inofensivo, serve de aviso. Vem desatar o mais apertado nó e mostrar. Tudo que não se quer ver, toda a ironia, o sarcasmo da vida, das relações, das esperanças. Traz a tona toda fuga. Todo esconderijo, querida, fica escancarado, tanto quanto fica sua ferida.
E quer saber se a verdade é cruel? É, eu tenho certeza. A verdade é profunda e tem mais uma coisa, que a consciência, que tanto me falta, veio mostrar: aquela menina, que eu canso de dizer que é louca, que inventa, fantasia, acredita em papai noel e bicho papão, aquela menina que eu, muitas vezes, olhei com olhos de piedade. Aquela por quem eu, tantas e tantas vezes, tive raiva, ódio, desprezo e, recentemente, indiferença; você, de quem tantas coisas eu pensei, sou eu. Somos iguais, a mesma loucura, só que eu sou um pouco mais injusta. Eu esquecia de me colocar no seu lugar, nem imaginava que ocupávamos o mesmo. Tola.
Eu sonho também, e carrego em mim os pesadelos do mundo. Eventualmente, carrego um pouco dos seus.
A gente só é tão maluca (e alguém nos nomeou, você sabe) por um motivo. Como todos os outros malucos de pedra, a gente acredita. O amor, enorme, e a esperança, infinitamente maior, é que nos enlouquece. A você e, sim, a mim. Se eu demorei tanto a entender que eu também acredito em universos paralelos é porque existem muitos sentimentos que ofuscam a verdade, e eu tenho muitos deles em mim. Existe muita, mas muita esperança incorrigível tomando minhas rédeas e a ouço dizer, bem lá do fundo, que vale a pena a loucura, que vale a pena a fantasia, que aquele dia vai chegar. Eu sei até onde essa voz, que é minha, vai me levar, meu bem, e eu sei que talvez ela me leve até o fim do mundo, o fim do poço, ou o início do resto da minha vida. Mas, entenda, não há nada a fazer. Que a minha loucura seja, realmente, perdoada. Porque, um pouco amor, um pouco esperança, um pouco a própria loucura, é o que sou.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Procura-se!

Comigo sim! Muita coisa boa já aconteceu depois das duas horas da manhã. Porque o que realmente importa é...

Se eu tivesse procurado, colocado anúncio no jornal, gritado na praça, se tivesse feito promessa ou pedido, tivesse eu feito preces e penitências, ou percorrido o mundo com uma lupa, não teria encontrado.
E olha aqui, agora, pra mim:
depois da caça,
caçadora.

De você, meu achado, em todos os nomes, corpos, almas e vozes do mundo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

não é pra já!

Quem volta
É porque
Não foi?

Já foi,
Já não vai
Voltar!

Um adeus
Nunca é
Pra já...

Camila

domingo, 30 de outubro de 2011

Perder-se também é caminho.

Eu me perdi nesse labirinto, me perdi nesse par de olhos, nesse par de mãos. Me perdi no seu corpo todo, me perdendo do meu, no seu cabelo, no seu cheiro que se espalha pelo mundo inteiro, pelo meu corpo inteiro, pelos meus sonhos, meu pesadelo.
Nesse olhar maroto, me perdi, nesse jeitinho brasileiro que te preenche, nesse vazio completo que é seu ser.
De uma só vez, me perdi nessa boca que só fala besteira, no seu sono pesado, no seu papel nesse mundo. Me perdi na sua máscara mais frequente, nos seus gostos e gestos e preferências e músicas e livros e perfumes e, uma vez ou outra, na raiva absoluta por ser perdedora. Me deixei perder pelos sonhos que eu criei me perdendo por você, me perdi pelas flores que não chegaram, pelo bilhetinho naquela folha rosa de coração que não voltava e pela solidão imensa que se transformou na minha mais constante companhia, eu me perdi, perdição.
Na sua solidão, na minha, na nossa contramão. Na profundidade do teu corpo quente, que ainda não se despediu da minha alma fria.

Camila.