'É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...' (Vinícius de Moraes)
e não é?!
tudo é pra gente ser feliz. o amor, o amor principalmente. mesmo quando ele ainda nem existe. Por que a tristeza do caminho fica menor, quase invisível, com amor.
Que coisa mais gostosa de se sentir: amor, todo amor!
Camila
terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
De todos!
É mais ou menos assim: o que querem é que eu pense no futuro, meu passado não resolvido reapareceu inesperadamente e o presente que eu tanto forço pra continuar vivendo não é meu.
Acho que é isso: estou pulando constantemente do passado ao futuro, do presente ao passado. De você pra ele. Deles pra vocês. De mim pra todo mundo. De nada pra nada.
Tenho a impressão de ter mentido pra mim o tempo todo. E pior de tudo é que eu continuo mentindo descaradamente, a cada minuto e sempre mais.
Por que se eu fosse tão bem resolvida com todos esses meus tempos, eu não sofreria tanto pelo que passou, pelo que ainda tá passando e nem pelo que vai passar.
Eu deveria ter procurado, ligado, brigado, falado, chorado...eu deveria ter demonstrado qualquer coisa que não fosse indiferença. Se eu tivesse feito tudo isso ao invés de virar as costas e não voltar mais, talvez não precisasse cuidar desses fantasmas. Eu precisava ter deixado todo mundo ver o final da história, mas, como sempre, fui omissa demais e preferi deixar uma pontinha de qualquer coisa que seja pra trás. Só acho que coração nenhum deveria acelerar tanto por algo que já foi.
- Ei,menina. Já foi mesmo?
Mas que pergunta...
Ah, e eu amo tanto o que eu vivo/não vivo/deveria viver, amo tanto esse agora, o instante mais perto de mim, o presente. Só que o presente machuca mais que o passado, talvez porque ele possa ser mudado ou não. E essa possibilidade do não é prato cheio pra viver um pouco menos feliz. É, o que amo está aqui. Mas o que é o que lá ficou?
E o que será? agora não consigo pensar, nem procurar, nem conhecer, nem mesmo sonhar. Vai ser sem mesmo que eu queira. Pode ser de novo o que passou, pode ser o que passa, pode ser nada disso. Mas agora não dá pra saber.
E porque eu vivo mentindo pra mim? Só pq eu não resolvi nada na minha vida e digo que sim, pq não tá tudo bem quando eu digo que tá, pq eu quero saber e não esquecer.
E aí...e aí eu não sei, eu nunca sei! Só acho que é saudade...de todos.
Camila
Acho que é isso: estou pulando constantemente do passado ao futuro, do presente ao passado. De você pra ele. Deles pra vocês. De mim pra todo mundo. De nada pra nada.
Tenho a impressão de ter mentido pra mim o tempo todo. E pior de tudo é que eu continuo mentindo descaradamente, a cada minuto e sempre mais.
Por que se eu fosse tão bem resolvida com todos esses meus tempos, eu não sofreria tanto pelo que passou, pelo que ainda tá passando e nem pelo que vai passar.
Eu deveria ter procurado, ligado, brigado, falado, chorado...eu deveria ter demonstrado qualquer coisa que não fosse indiferença. Se eu tivesse feito tudo isso ao invés de virar as costas e não voltar mais, talvez não precisasse cuidar desses fantasmas. Eu precisava ter deixado todo mundo ver o final da história, mas, como sempre, fui omissa demais e preferi deixar uma pontinha de qualquer coisa que seja pra trás. Só acho que coração nenhum deveria acelerar tanto por algo que já foi.
- Ei,menina. Já foi mesmo?
Mas que pergunta...
Ah, e eu amo tanto o que eu vivo/não vivo/deveria viver, amo tanto esse agora, o instante mais perto de mim, o presente. Só que o presente machuca mais que o passado, talvez porque ele possa ser mudado ou não. E essa possibilidade do não é prato cheio pra viver um pouco menos feliz. É, o que amo está aqui. Mas o que é o que lá ficou?
E o que será? agora não consigo pensar, nem procurar, nem conhecer, nem mesmo sonhar. Vai ser sem mesmo que eu queira. Pode ser de novo o que passou, pode ser o que passa, pode ser nada disso. Mas agora não dá pra saber.
E porque eu vivo mentindo pra mim? Só pq eu não resolvi nada na minha vida e digo que sim, pq não tá tudo bem quando eu digo que tá, pq eu quero saber e não esquecer.
E aí...e aí eu não sei, eu nunca sei! Só acho que é saudade...de todos.
Camila
domingo, 17 de outubro de 2010
Completo nunca fica
Sempre falta alguma coisa.
E é esse o segredo da vida: sempre faltar pra gente sempre procurar.
Tem dias que eu procuro bastante, que eu me forço a sentir completa, tem dias que eu resolvo meus mistérios. Em outros, como hoje, não tenho paciência pra essa frescurada toda, não tenho paciência pra me entender e nem pra tentar perceber o que eu quero, não quero nem saber o que falta e em que lugar eu encontro. Eu posso comer a casa inteira que o que tô mesmo com vontade não tem aqui e, provavelmente, em nenhum lugar, posso sentar, deitar, levantar, me olhar no espelho, arrumar meus óculos, posso tirá-los, eu posso ler todos os livros que eu tenho, posso tentar dormir, posso ligar e desligar a tv, ouvir todas as nove mil e duzentas músicas que eu tenho aqui que nenhuma delas vai me fazer sentir coisa nenhuma que não seja o vazio por saber que falta alguma coisa.
Eu posso ter todas as coisas que eu preciso e ainda assim vai sobrar esse espaço vazio, vai sobrar umas linhas em branco, em preto, em tudo que não seja colorido. Eu vou sobrar inteira e vazia, cheia da falta de. Sem vontade de encontrar o que quer que seja, sem vontade de tapar o sol com a peneira, sem vontade de esperar qualquer coisa, sem vontade de entender o que acontece e o que não acontece, sem coragem, sem vontade, sem vontade de perceber porque a gente perde tanto tempo fazendo nada, amando nada, comendo nada, e sentindo nada. O que a gente faz é passar o tempo cobrindo a falta com nada, pelo menos nada que não se transforme em falta logo depois. Hoje não quero procurar mais não, talvez amanhã eu volte a acreditar nessa busca...
Camila
E é esse o segredo da vida: sempre faltar pra gente sempre procurar.
Tem dias que eu procuro bastante, que eu me forço a sentir completa, tem dias que eu resolvo meus mistérios. Em outros, como hoje, não tenho paciência pra essa frescurada toda, não tenho paciência pra me entender e nem pra tentar perceber o que eu quero, não quero nem saber o que falta e em que lugar eu encontro. Eu posso comer a casa inteira que o que tô mesmo com vontade não tem aqui e, provavelmente, em nenhum lugar, posso sentar, deitar, levantar, me olhar no espelho, arrumar meus óculos, posso tirá-los, eu posso ler todos os livros que eu tenho, posso tentar dormir, posso ligar e desligar a tv, ouvir todas as nove mil e duzentas músicas que eu tenho aqui que nenhuma delas vai me fazer sentir coisa nenhuma que não seja o vazio por saber que falta alguma coisa.
Eu posso ter todas as coisas que eu preciso e ainda assim vai sobrar esse espaço vazio, vai sobrar umas linhas em branco, em preto, em tudo que não seja colorido. Eu vou sobrar inteira e vazia, cheia da falta de. Sem vontade de encontrar o que quer que seja, sem vontade de tapar o sol com a peneira, sem vontade de esperar qualquer coisa, sem vontade de entender o que acontece e o que não acontece, sem coragem, sem vontade, sem vontade de perceber porque a gente perde tanto tempo fazendo nada, amando nada, comendo nada, e sentindo nada. O que a gente faz é passar o tempo cobrindo a falta com nada, pelo menos nada que não se transforme em falta logo depois. Hoje não quero procurar mais não, talvez amanhã eu volte a acreditar nessa busca...
Camila
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
"Todo mundo de repente ficou lindo, lindo de morrer"
Para uma Menina com uma Flor
"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai,
eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino,
o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde,
tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.
E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua D.D.C. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.
E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor,
se vestindo parecido.
E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.
E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara na Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris;
fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena;
é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor." (Vinicius de Moraes).
Isso é que é lindo e faz vários sorrisos...
Camila
"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai,
eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino,
o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde,
tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.
E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua D.D.C. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.
E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor,
se vestindo parecido.
E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.
E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara na Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris;
fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena;
é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor." (Vinicius de Moraes).
Isso é que é lindo e faz vários sorrisos...
Camila
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Não eram meus, não era sua.
Me dei conta que matei e, sobretudo, enterrei algumas pessoas, alguns momentos, alguns cheiros, uma parte da minha vida que me pareceu estranha, de outra pessoa.
Me senti como uma estranha contando uma história pouco conhecida, lembrando tempos que não são meus, forçando muito pra lembrar o que veio depois e quem foi embora antes.
Não sei o que eu sentia, o porquê das flores, não reconheço os perfumes,não lembro dos sorrisos e das lágrimas minhas, deles, nem minhas por eles.
Consciência de que foi importante eu tenho, foi de primeira mão, foi novidade, descoberta, foram paixões, foi primeiro, segundo, terceiro, quarta e quinta, todo dia.
Teve intensidade, eu sei, teve tudo que deveria, e não, ter. Lembro que ria, não sei de quê, lembro que gostava do que não existe mais, lembro de algumas estrelas e um esquimó romântico, só faltou ter amor pra lembrar.
Quando eu conto, me sinto mentindo ou criando. Mas não! Foi mesmo comigo. Eu fui tão decidida nesse meu passado estranho (e não tão distante) que simplesmente não perdoei traições e mentiras, não quis cuidar de ninguém, não quis cair em tentação nenhuma vez, eu só quis seguir. Só me surpreendo, hoje, por perceber o quanto fui forte e quão rápido foi o processo. Não que eu tenha riscado ou passado uma borracha, eu rasguei em pedacinhos o papel inteiro, joguei longe, mandei embora. Nunca mais vi, nunca mais perguntei por, não lembrei, não chorei pela falta, não pensei em ligar, não reconheci mais nada, não senti e nem lembrei do que havia sentido. Eu exclui, eu enterrei, eu segui, ficou pra trás. Sem saudade, sem muitas lembranças, sem nada.
Quem, hoje, conta essas lembranças meio velhas e ultrapassadas, é menos forte e decidida, talvez seja porque agora existe amor e pode ser que ele enfraqueça. Talvez por amor é que existe perdão, lágrimas, sorrisos, e perfumes reconhecidos de longe. Pode ser que esteja mais fraca, mas acho que futuramente, vou lembrar do porquê da falta de flores, vou lembrar que não havia nenhum esquimó e muito menos romântico, talvez eu me lembre o motivo de cada coisa que eu faço, talvez eu me sinta personagem dessa história e não rasgue todas as folhas.
Preciso lembrar como é ser forte, lembrar do amor eu não preciso. Só pra saber se o bom é seguir, sem amor e com certeza, ou esperar, com dúvidas e um amor como companheiro.
Camila
Me senti como uma estranha contando uma história pouco conhecida, lembrando tempos que não são meus, forçando muito pra lembrar o que veio depois e quem foi embora antes.
Não sei o que eu sentia, o porquê das flores, não reconheço os perfumes,não lembro dos sorrisos e das lágrimas minhas, deles, nem minhas por eles.
Consciência de que foi importante eu tenho, foi de primeira mão, foi novidade, descoberta, foram paixões, foi primeiro, segundo, terceiro, quarta e quinta, todo dia.
Teve intensidade, eu sei, teve tudo que deveria, e não, ter. Lembro que ria, não sei de quê, lembro que gostava do que não existe mais, lembro de algumas estrelas e um esquimó romântico, só faltou ter amor pra lembrar.
Quando eu conto, me sinto mentindo ou criando. Mas não! Foi mesmo comigo. Eu fui tão decidida nesse meu passado estranho (e não tão distante) que simplesmente não perdoei traições e mentiras, não quis cuidar de ninguém, não quis cair em tentação nenhuma vez, eu só quis seguir. Só me surpreendo, hoje, por perceber o quanto fui forte e quão rápido foi o processo. Não que eu tenha riscado ou passado uma borracha, eu rasguei em pedacinhos o papel inteiro, joguei longe, mandei embora. Nunca mais vi, nunca mais perguntei por, não lembrei, não chorei pela falta, não pensei em ligar, não reconheci mais nada, não senti e nem lembrei do que havia sentido. Eu exclui, eu enterrei, eu segui, ficou pra trás. Sem saudade, sem muitas lembranças, sem nada.
Quem, hoje, conta essas lembranças meio velhas e ultrapassadas, é menos forte e decidida, talvez seja porque agora existe amor e pode ser que ele enfraqueça. Talvez por amor é que existe perdão, lágrimas, sorrisos, e perfumes reconhecidos de longe. Pode ser que esteja mais fraca, mas acho que futuramente, vou lembrar do porquê da falta de flores, vou lembrar que não havia nenhum esquimó e muito menos romântico, talvez eu me lembre o motivo de cada coisa que eu faço, talvez eu me sinta personagem dessa história e não rasgue todas as folhas.
Preciso lembrar como é ser forte, lembrar do amor eu não preciso. Só pra saber se o bom é seguir, sem amor e com certeza, ou esperar, com dúvidas e um amor como companheiro.
Camila
sábado, 18 de setembro de 2010
não tem lugar
"O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê"
tem dias que eu não tenho lugar, que nada parece estar certo, tem dias que nada é meu!
e hoje é assim: estou aqui e em todos os outros lugares, não estou em nenhum. De jeito nenhum.
não tem lugar pra mim no mundo hoje,nem lugar em mim pra ninguém.
é questão de encaixe, um dia dá certo, outro não. É a vida,né!? É ter saudade do que sabe e do que nem imagina...
Camila
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê"
tem dias que eu não tenho lugar, que nada parece estar certo, tem dias que nada é meu!
e hoje é assim: estou aqui e em todos os outros lugares, não estou em nenhum. De jeito nenhum.
não tem lugar pra mim no mundo hoje,nem lugar em mim pra ninguém.
é questão de encaixe, um dia dá certo, outro não. É a vida,né!? É ter saudade do que sabe e do que nem imagina...
Camila
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Pequena
Reparando bem, nada faz sentido na vida. Nem a própria vida faz.
Acredito que em um ou outro momento todos percebemos que é assim,e às vezes uma aula maravilhosa nos faz lembrar do que é evidente.
Todo mundo vive meio que no escuro, tudo é mais ou menos de surpresa, tudo que a gente espera é alguma coisa que nem conhece e nem sabe se vem, não sabe de onde vem,a gente não sabe nem porque quer. É tudo puro mistério.
Eu facilmente enlouqueceria se sempre pensasse pra que comer, porque amar, trabalhar, limpar, sujar, rir e chorar, porque transar, brigar, odiar e esperar, porque planejar, lavar,respirar, porque respirar?
Talvez o bom da vida seja exatamente esse não saber, talvez bom seja arriscar o que tem e o que nem pensa em ter, vai ver nem era pra ter sentido. E não tem.
Ninguém explica a vida, nem a morte, nem o que acontece entre as duas. Não se explica, não entende, não sabe, não prevê, não aceita.
Talvez eu só venha a entender no fim, e tudo comece a ter um pouco de sentido pra mim, enquanto pra alguns é exatamente por isso que vai ser ainda mais sem sentido.
Começa pra uns, termina pra outros. Mas não há quem não fique no escuro, tentando saber um pouco mais, tentando sentir um pouco mais, tentando ter olhos um pouco maiores. Diante de tanto mistério só dá pra saber o quão pequenos somos todos. Pequena, pouco e quase nada. Não por nada, não por tristeza nenhuma, não por saudade, não por amor, não por dor, não por mim, nem por você. Só sou pequena por ser, sem saber, só por ser pequena e ser eu. E por não ter sentido.
Camila
Acredito que em um ou outro momento todos percebemos que é assim,e às vezes uma aula maravilhosa nos faz lembrar do que é evidente.
Todo mundo vive meio que no escuro, tudo é mais ou menos de surpresa, tudo que a gente espera é alguma coisa que nem conhece e nem sabe se vem, não sabe de onde vem,a gente não sabe nem porque quer. É tudo puro mistério.
Eu facilmente enlouqueceria se sempre pensasse pra que comer, porque amar, trabalhar, limpar, sujar, rir e chorar, porque transar, brigar, odiar e esperar, porque planejar, lavar,respirar, porque respirar?
Talvez o bom da vida seja exatamente esse não saber, talvez bom seja arriscar o que tem e o que nem pensa em ter, vai ver nem era pra ter sentido. E não tem.
Ninguém explica a vida, nem a morte, nem o que acontece entre as duas. Não se explica, não entende, não sabe, não prevê, não aceita.
Talvez eu só venha a entender no fim, e tudo comece a ter um pouco de sentido pra mim, enquanto pra alguns é exatamente por isso que vai ser ainda mais sem sentido.
Começa pra uns, termina pra outros. Mas não há quem não fique no escuro, tentando saber um pouco mais, tentando sentir um pouco mais, tentando ter olhos um pouco maiores. Diante de tanto mistério só dá pra saber o quão pequenos somos todos. Pequena, pouco e quase nada. Não por nada, não por tristeza nenhuma, não por saudade, não por amor, não por dor, não por mim, nem por você. Só sou pequena por ser, sem saber, só por ser pequena e ser eu. E por não ter sentido.
Camila
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